Festa da cabra e do canhoto - Cidões
Há 2000 mil anos já os Celtas cendiam fogueiras na noite de 31 de Outubro, que para os Celtas marcava o início da estação escura com os dias mais pequenos e as noites mais longas.
Estamos em Cidões, uma aldeia transmontana, do concelho de Vinhais, e distrito de Bragança. E como em muitas aldeias transmontanas, aqui queima-se o canhoto, e fazem-se fogueiras comunitárias em diferentes alturas do ano. E no dia de Todos os Santos acendem-se velas nos cemitérios, e em Cidões faz-se mais: acende-se a maior vela, que é a GIGANTESCA FOGUEIRA!
O que aconteceu de novo este ano?
Este ano Cidões procurou acrescentar algo novo para dar mais espetacularidade ao evento, e juntaram ao espetáculo sons e luzes. Quem decidiu juntar-se à festa, teve a oportunidade de jantar numa tenda gigante e com o conforto adequado, para comer o manjar de cabra, feijoada e caldo verde, acompanhada com as bebidas espirituosas da aldeia: o Vinho, a Bebida celta Ulhaque, aguardente, Jerupiga e a queimada Celta.Claro que não pode faltar o já tradicional e sempre apetecido Café do Pote com a BRASA. Às 20h temos o espetáculo do acender da fogueira que este ano será diferente, envolverá música, 3 deusas celtas e flechas a arder! Entre as 20h e as 22h temos a atuação de grupos de gaiteiros e o grupo Etnográfico da Casa do Professor de Bragança. De hora a hora haverá um espetáculo da queimada Celta realizado por um Druida acompanhado pelas Deusas e muita luz, cor e sons! Depois entre as 22h e as 23.30h vamos assistir à atuação do Grupo Quadrilha de Sebastião Antunes. Trata-se de um grupo de música de Inspiração Celta. De referir que este grupo no dia a seguir vai atuar no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Terminado o concerto, chegará o grande momento por volta das 23.30h que é a queima do Bode. Este ano iremos queimar um bode gigante que virá pelo ar a arder e cair em cima da fogueira num espetáculo de sons, luzes e fogo-de-artifício. Será um espectáculo deslumbrante que não deixará ninguém indiferente. Logo a seguir chegará o Diabo em cima do tradicional carro de bois com as tarraxas bem apertadas a chiar bem alto. Durante o seu percurso o Diabo acenderá 13 estrelas flamejantes. Durante o resto da noite temos ainda a atuação de um DJ que nos apresentará um repertório de música Celta. Esta é uma festa que foi nossa ao longo dos anos. Agora é de todos, principalmente daqueles que procuram preservar as suas tradições. É certo que, em muitos casos, a tradição já não é o que era, mas talvez por isso, sabe bem saborear algumas das tradições que ao longo dos tempos se mantiveram, adaptando-se aos novos usos e costumes Populares. Esta tradição perde-se na noite dos tempos. É uma festa tradicional de características únicas. Realiza-se todos os anos na noite anterior ao dia de todos os santos. Manda a tradição que se faça uma grande fogueira com o canhoto ou tronco maior que se conseguir arranjar. O canhoto e toda a lenha que se queima nesta fogueira deverá ser “roubada”, pois se o não for não arde e não dá sorte. Nesta fogueira vai ser cozinhada a(s) cabra(s) em grandes potes. Enquanto as cabras vão cozinhando vão se comendo castanhas assadas. A cabra fica com um sabor delicioso e único como manda a tradição. O tempero é ancestral e não pode ser divulgado. È acompanhada com pão, vinho, e depois o tradicional e único café feito no pote, a queimada Celta e Ulhaque - a bebida tradicional de Cidões. A cabra é preparada com todos os cuidados de higiene. É morta e esfolada no matadouro de Vinhais. Depois, é colocada com os temperos como manda a tradição num recipiente onde fica até à sua hora. É um lugar de festa e de convívio. Trocam-se notícias de amigos e familiares ausentes. Encontram-se os amigos, numa noite de ambiente mágico à volta da grande fogueira e com um copo de vinho na mão. Nessa noite, a aldeia é virada ao contrário" ao avesso", pois a rapaziada da aldeia vai roubar os vasos de flores das varandas e colocá-los pelas ruas, e virar ao contrário os carros de bois e carroças de burros e machos. Nessa noite também aparece o Diabo em cima dum carro de bois puxado apenas pela malta. O carro vai com as atarraxas bem apertadas para cantar bem alto para não deixar dormir ninguém. Esta é uma tradição que já vem de há séculos, e que está ligada por ser nesta noite o inicio da estação escura para os Celtas. É realizada apenas à noite, é virado tudo ao avesso, e é cozinhada a cabra fêmea do bode que representa o Satanás, o Lúcifer, o cornudo, o diabo, o canhoto ( se verificar no dicionário da língua Portuguesa - Canhoto significa Diabo, o demónio). É uma tradição de caraterísticas, únicas, aberta desde sempre a todas as pessoas da aldeia ou de fora dela, que queiram conviver um pouco, divertir-se, matar a fome ou aquecer o corpo com lume e vinho nestas noites frias de Outono. Todos querem aquecer-se a esta fogueira pois assim vão deitar fora a má sorte, que é queimada nas chamas da fogueira que chegam a atingir algumas dezenas de metros de uma beleza inigualável, com o efeito que dá com a noite como companheira. Assim, as pessoas que se aquecem a esta fogueira ficam preparadas para o novo ano e Inverno rigoroso que se avizinha, e com mais sorte nas suas actividades e trabalhos. É a festas das colheitas, é a festa da chegada do tempo frio, uma nova fase da vida do agricultor. De referir que o dia na aldeia é um dia normal só se alterando com o chegar da noite onde as pessoas que se vão juntar à volta do canhoto. A farra só começa à noite, talvez porque à noite "todos os gatos são pardos". Mas o melhor será estarem presentes na nossa festa e verem, sentirem e saborearem como nós sentimos e saboreamos sentimentos e paladares que se vão perdendo no tempo. Conviverem com as nossas mais puras gentes transmontanas e escutarmos as suas vozes e as suas almas. Na noite de 31 de outubro , estaremos ao ar livre, recebendo o luar . Na verdade é um louvor à Terra, à Natureza e à Mãe de todas as coisas. É uma data muito bonita e de grande significado. Aproveite, sai da rotina do seu dia a dia, e venha conhecer e dar um passeio a Cidões, aldeia que parece que está em cima do rio Tuela. Conheça o seu típico artesanato de cestaria, os seus produtos, as suas belas paisagens, o rio, a ponte do manhuço, a caça e pesca, a mina de água, a fonte, o NICHO, as ruínas do Convento do Franco, a Igreja com a sua secular pia baptismal, as suas casas e ruas, as suas terras acidentadas. Venha provar da sua tradicional gastronomia à base de produtos biológicos como a prova do seu requintado vinho que nesta altura é sempre a prova do excelente vinho novo. Aqui em Cidões a tradição ainda é o que era, e queremos que continue a ser. Não deixe de apoiar estas iniciativas locais de geração de riquezas SÓ OS CONVIDAMOS PARA PASSAR UMA DAS 365 NOITES QUE O ANO TEM. UMA NOITE DIFERENTE. Deixe o sofá e o café e regresse ao passado tomando parte numa festa ancestral. OBRIGADO. Luís Castanheira
Feira da Castanha Vinhais 2014
Vinhais tem várias feiras durante o ano, mas as principais, conhecidas a nível internacional, são a Feira (ou festa) da Castanha e Feira do Fumeiro. Esta última é que a mais se acentua. E já que falamos neste assunto, venho informar que no último fim-de-semana de Outubro se realiza a Feira da Castanha. Contando com muita festa, alegria, castanhas de todo o concelho, muitas delas assadas no maior assador do mundo, e muito mais...
Vão ser 3 dias (24,25 e 26 de Out) bem aproveitados com a família e/ou amigos, com tasquinhas para beber o seu "copito" para acompanhar a castanha assada.

